O BRASIL AGORA PASSA A SABER
 |
| RICARDO PESSOA |
Confissão tornada pública do empresário Ricardo
Pessoa narra como pagou propina, parte
dela disfarçada de doações oficiais, para políticos de vários partidos. Só para
o PT, o empresário afirma que pagou em propina R$ 20,5 milhões em propina entre 2004 e
2014. Ele narra as doações para campanha de Lula em 2006 e também para campanha
da presidente Dilma. Boa parte das acusações já era conhecida. Mas só agora,
com a divulgação da íntegra dos depoimentos, é que se sabe como o delator
tratou cada um dos casos de corrupção diante dos investigadores.
Ricardo Pessoa disse ter sido
orientado pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a doar R$ 20 milhões
para a campanha da presidente Dilma. Vaccari, hoje preso em Curitiba, orientou
Pessoa a procurar o então tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, atual
ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Edinho pediu
10 milhões em doações e lembrou ao empreiteiro a existência dos contratos da
UTC com a Petrobras, segundo Pessoa.
Questionado qual o valor o
declarante pagou ao PT em termos de propina relacionada à Petrobras, declara
que foi de R$ 20.521.000,00 (vinte milhões, quinhentos e vinte e um mil reais),
entre os anos de 2004 e 2014, afirma Pessoa, num dos depoimentos prestados ao
grupo de trabalho da Procuradoria-Geral da República que está à frente das
investigações sobre o envolvimento de políticos com as fraudes na Petrobras. Na contabilidade da propina, o empresário incluiu R$ 2,4
milhões que doou em espécie para campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva em 2006.
Pessoa entendeu que, se não
houvesse mais governo do PT, ele não teria o mesmo volume de contratos",
registra a delação de Pessoa, tornada pública por decisão do ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. No fim das contas, a UTC doou R$
7,5 milhões à campanha de Dilma, valor registrado no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
No caso da campanha de Lula em
2006, Pessoa disse que "efetuou o repasse de R$ 2.400.000,00 (dois milhões
e quatrocentos mil reais)". E
afirmou que o valor foi retirado dos
pagamentos referentes à obra da Plataforma P53 da Petrobras. "Que tal
doação foi feita de forma não oficial, tendo sido entregue em dinheiro a José
de Filippi Junior, tesoureiro da campanha de Lula à presidência da República em
2006", diz trecho do depoimento no termo de delação premiada.
ENQUANTO ISSO!
Enquanto se articula para tentar barrar o
processo de impeachment
no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff precisará também se
defender em uma ação que pode cassar o mandato dela e do vice, Michel
Temer (PMDB-SP). A defesa tem 7 dias para se
manifestar a partir da notificação.
A ação investiga abuso de poder político e econômico nas eleições de
2014 e foi proposta pelo PSDB. Os advogados que representam a chapa
Dilma/Temer poderão apresentar provas e indicar testemunhas, durante
esse prazo, além de solicitar a produção de outras provas.
O TSE decidiu abrir a ação de impugnação de mandato em outubro. Desde
agosto, no entanto, quando o julgamento foi paralisado por um pedido de
vista, a corte já possuía maioria formada para abrir a apuração. Foi a
primeira vez que a Justiça Eleitoral autorizou uma investigação como
essa contra a campanha de um presidente da República